sábado, 2 de abril de 2011

À tí, jovem empreendedor de Ribeira Grande!

Muitos falam sobre o jovem empreendedor como se isso fosse um fenômeno contemporâneo. Mas se analisarmos nossa história evolutiva, veremos que ele é, na verdade, um dos personagens mais antigos da nossa espécie – além de fundamental para que atingíssemos o atual grau de desenvolvimento da humanidade.

No nosso ambiente ancestral, grupos humanos se organizavam em bandos de caçadores e coletores que atuavam de maneira organizada para obter o sustento da comunidade. Mas de nada adiantava um grande número de bons manejadores de lanças se não houvesse um indivíduo com habilidade para coordenar uma estratégia eficiente para cercar a presa. Foi precisamente aí que surgiu a necessidade de um sujeito que fosse bom na coordenação da caçada (ou de uma eficiente operação de coleta), independente de sua própria habilidade na atividade de caçar ou coletar propriamente dita.

Muito tempo depois, inventamos a agricultura, o comércio, a escrita, as leis... Continuamos, entretanto, a ter a necessidade de indivíduos que liderassem empreendimentos análogos aos que praticávamos há dezenas de milhares de anos. No atual grau de desenvolvimento, centrado no sistema capitalista de livre iniciativa, esse sujeito é o empreendedor – que, a priori, pode ser jovem ou velho, tanto faz. Acontece que, já no ambiente ancestral, havia uma diferença sutil entre os líderes de caçadas mais novos ou mais velhos, que tem paralelo entre os jovens empreendedores e aqueles já estabelecidos há muito tempo.

A diferença entre jovens e velhos empreendedores não se restringe ao número de fios de cabelo branco na cabeça, mas principalmente ao comportamento de um e de outro. Um jovem empreendedor, assim como um jovem líder de caçadores, é um sujeito mais impetuoso e disposto a assumir riscos e a inovar. O empreendedor mais velho, por sua vez, tem um comportamento mais seguro e menor propensão ao risco. E uma sociedade saudável terá estes dois tipos de lideranças empresariais convivendo de modo a obter um equilíbrio que maximize a eficiência total do sistema.

Deves estar a perguntar o que tudo isso tem haver contigo. Pois é meu caro, diante das perspectivas econômicas que vivemos hoje no nosso país, onde 4 em cada 10 jovens estão sem emprego (Dados do INE), chegou a hora de você, jovem de Ribeira Grande, descobrir o espírito empreendedor que há dentro de si. Criatividade e idéias para tal não faltam.

Deves estar também a dizer, “Se as autoridades locais e centrais não me dão uma oportunidade, como vou ser empreendedor?”. Pois é, isso é uma das minhas críticas à política empreendedora do nosso país, onde o Estado é o “guru” da economia, mas cabe a você correr atrás dos meios (financiamento, estudo de mercado e do produto, investimento, estrutura de custos, legislação, etc.) e acreditar no seu potencial para atingir a sua meta. É claro que terás de enfrentar obstáculos como estrangulamentos estruturais e conjunturais de nossa Economia, mas tudo dependerá, principalmente, do seu empenho nesse processo.

Como deves saber Santo Antão é hoje uma das ilhas mais pobres do arquipélago, por haver uma escassez de grandes projetos de investimento na região. Quem sabe agora não é um grande momento de colocares em prática, as tuas idéias e assim dar um “up” na economia regional do concelho e da ilha, de um modo geral? Pense nisso!

Adaptando a afirmação de Jhon F. Kennedy (ex-presidente norte-americano) à realidade caboverdeana, “Não digamos apenas o que Cabo Verde deve fazer por nós, mas também, o que podemos e devemos fazer por ele”.

Carlos Bentub

Economista

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A década da criação de emprego e redução do desemprego em Cabo Verde

A década de noventa criou mais postos de trabalhos do que as décadas de 80 e de 2000 juntas. O quadro seguinte mostra a evolução do emprego e desemprego entre 1980 e 2009, por períodos de 10 anos.



A década de 80 criou um número importante de postos de trabalho, mas ficou bem longe da dinâmica de crescimento do emprego dos anos noventa, como se pode ver no gráfico seguinte.


Evolução do emprego 1980-2009


Entre 1980 e 1990 foram criados 27.035 empregos (líquidos). Nos anos 90 foram criados 52.105 postos de trabalho e na presente década só foram criados 12.341 empregos. O gráfico ilustra bem a diferença de dinâmica entre as três décadas. Na realidade o número de empregos criados entre 1990 e 2000 excedeu em 32% a totalidade dos postos de trabalho criados nas décadas de 80 e 2000 combinadas.

O desemprego evoluiu em sentido inverso. O gráfico abaixo mostra o número de desempregados em cada um dos anos referenciados.


Evolução do desemprego 1980-2009


A presente década, 2000 – 2009 acrescentou o maior número de desempregados dos últimos trinta anos. Efectivamente, entre 1980 e 1990, o número de desempregados aumentou de 10.524. Na década de 90, foram acrescentados mais 3.259 empregados ao número existente no início da década. Nos anos 2000 até ao presente, mais 11.120 desempregados foram engrossar o exército dos desempregados existentes em finais do ano 2000. Ou seja, os novos desempregados da década de 2000 representam 81% do total de novos desempregados das duas décadas anteriores.

O quadro seguinte apresenta a síntese do que acima se disse.



Em resumo, a actual década, sob governo do Paicv, acrescentou o menor número de postos de trabalho e o maior número de desempregados dos últimos 30 anos do Cabo Verde independente.

Em sentido inverso, a década de 90, sob governo do MpD, acrescentou mais postos de trabalho do que as restantes duas décadas em conjunto, e menos desempregados do que qualquer das décadas anteriores

O gráfico abaixo compara a evolução do emprego e desemprego em cada década em termos percentuais.

Evolução do emprego e desemprego, 1980-2009,
(em percentagem )



O emprego aumentou 43% entre 1980 e 1990, mas no mesmo período o desemprego aumentou 67%. Nos anos 90, foi o inverso. O emprego aumentou 58% enquanto o desemprego registou um agravamento de 12%. Na presente década, o desemprego sofreu um agravamento de 38% para um aumento de apenas 9% do emprego.

Compreende-se, assim, que a taxa de desemprego ( 15 anos e +) tenha aumentado de 20% em 1980 para 23% em 1990, e tenha regredido para 17% em 2000 para subir de novo para 21% em 2009.

Carlos Bentub
Economista

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A recuperação da economia global e a criação de nova moeda-reserva internacional

Já em 1944, durante a realização do Acordo de Bretton Woods, Keynes criticou a idéia de os países participantes (45 países) assumirem o dólar como a moeda-reserva internacional, visto que, se a economia dos Estados Unidos entrar em uma profunda crise, as outras também sofreriam. Ele propôs assim a criação de uma moeda independente de qualquer nação, denominado de Bankor. Realmente, depois de 64 anos, a sua previsão se concretiza, com essa crise atual que assola todos os mercados mundiais.
Muitos países, com destaque para a China – principal comprador da dívida pública dos Estados Unidos e a maior fonte de financiamento do déficit fiscal do governo norte-americano –, defendem a criação de uma nova moeda-reserva para substituir o dólar, mostrando assim, a perda de credibilidade para com a divisa. O objetivo principal dessa tentativa é criar uma nova divisa que não esteja vinculada a um único país e que possa permanecer estável no longo prazo. Um exemplo seria, os Direitos Especiais de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma moeda independente, formada por uma cesta de moedas fortes – euro, dólar, iene japonês e libra esterlina. A moeda é constituída da seguinte forma: 44% para o dólar, 34 % para o euro, 11% para o iene e 11% para a libra esterlina.
A pergunta que se coloca é se outra moeda pode, realmente, substituir o dólar como principal moeda-reserva. Alguns especialistas se mostram pessimistas, como é o caso de Ahmed Rahnema, professor de finanças do IESE Business School. Segundo ele há dúvidas sobre se esta substituição é possível na prática.
Primeiramente, não se deve esquecer que os DES são um derivado do dólar e outras moedas fortes. Portanto, os DES não constituem uma moeda independente e também, nenhuma das principais forças políticas no FMI (Estados Unidos, União Européia, Reino Unido e Japão) apoiaria a sua criação.
Em segundo lugar, qualquer tentativa de substituir o dólar por outras moedas partindo das autoridades chinesas significaria uma grande venda de ativos lastreados em dólar e isso provocaria uma desvalorização dessa divisa no mercado financeiro. Seria um grande erro cometido pelos chineses.
Em terceiro lugar, enquanto o dólar for a moeda do comércio internacional e a economia norte-americana for a maior do mundo, os bancos centrais dos outros países continuarão a manter boa parte de suas reservas em dólar. Será, portanto, difícil mudar essa tendência.
Em quarto lugar, nenhuma dessas moedas fortes aptas a substituir o dólar como divisa de reserva dispõe de um mercado de títulos com o mesmo nível de liquidez do dólar. Assim, o mercado das dívidas expressa em dólares continuará a ser o de maior liquidez no futuro.
Em quinto lugar, se o objetivo da substituição do dólar como moeda-reserva internacional for o de obter maior rentabilidade, nessa época de crise, não parece factível essa substituição. Isso tornaria uma “bola de neve”.
Finalmente, o fator político interfere nessa decisão de escolher entre uma e outra moeda internacional. Como os E.U. A constituem o principal sócio político, econômico e militar de muitos países do Médio Oriente, Ásia e América, muitos dessas economias continuarão a manter grande parte de suas reservas internacionais em dólar, talves não por razões econômicas, mas por razões políticas. Portanto, a divisa norte-americana manterá sua hegemonia perante as outras moedas.
Ao meu ver, a recuperação da economia global não exige apenas a criação de uma nova moeda de transações internacionais. Exige também, uma regulação dos mercados financeiros e uma coordenação entre os países que permite a reversão dos desequilíbrios macroeconômicos e o restabelecimento da confiança, em termos mundiais.



Artigo elaborado por:

- Carlos Bentub, graduando em Economia pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil.



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sexta-feira, 13 de março de 2009

Cabo Verde: Um país de Desenvolvimento Médio

A experiência nos ensina que o objetivo principal de qualquer país é alcançar o desenvolvimento econômico, baseado fundamentalmente em políticas de ordem socioeconômica. Também, ela nos mostra que atingir tal objetivo não é tarefa fácil e não acontece da noite pro dia. Depende, neste caso, de muito esforço, trabalho e dedicação nomeadamente do povo de uma determinada Nação.
Tomando isso como pano de fundo, depois de 33 anos de independência, Cabo Verde comemora uma das melhores conquistas de sua história. Em janeiro deste ano, o arquipélago foi integrado ao grupo de Países de Desenvolvimento Médio (PDM). Portanto, demos mais um passo em direção ao desenvolvimento econômico. Mas é importante salientar que, apesar disso, ainda Cabo Verde é considerado um país menos avançado, isto é, apresenta uma economia vulnerável. Certamente, muitas coisas precisam ser feitas ou mudadas para que possamos atingir esse objetivo final que tanto sonhamos.
Esta recente conquista, aliado à estabilidade econômica, social e política e ao bom desempenho dos indicadores macroeconômicos (PIB, IDH, etc...), constituem não apenas sinais de amadurecimento da nossa Economia, mas também, motivos de orgulho para todos os caboverdeanos.
Sendo um país praticamente desprovido de recursos naturais e, sobretudo com uma economia dependente (vulnerável), para continuar com essa trajetória ascendente, as autoridades caboverdeanas juntamente com as Nações Unidas, com a iniciativa privada e com os principais financiadores de projetos de desenvolvimento (Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, FMI, etc...), devem “unir” cada vez mais, mobilizando recursos para melhorar principalmente as nossas infra-estruturas. Investimentos em infra-estruturas viáveis são considerados peças chaves para o crescimento e desenvolvimento econômico; investimentos pesados no capital humano (educação e saúde) são indispensáveis nesse momento já que, quanto mais qualificada for a mão-de-obra, maior é a produtividade e quando assim, maiores são as chances de o país crescer e apresentar taxas decrescentes de Desemprego e Analfabetização; medidas que melhoram a nossa balança comercial ( que é deficitária), seriam atitudes inteligentes tomadas pelo Governo pois, tornariam o país menos vulnerável à choques externos; a recuperação da credibilidade política seria outra medida fundamental para seguir essa trajetória ascendente. Hoje é comum na nossa sociedade, o cidadão não apostar mais nas promessas políticas. Com isso, as autoridades políticas têm de contribuir para tal processo de recuperação por meio da transparência e responsabilidade; e por fim, a criação de mais programas sociais destinados à população carente reduzindo assim, as taxas de pobreza e exclusão social que são muito altas.
Estatísticas oficiais mostram que o arquipélago vem recebendo investimentos externos recordes em áreas importantes como o Turismo (principal componente do PIB) que por sua vez está provocando um “efeito dominó” na nossa economia, ou seja, o crescimento desse sector está puxando o crescimento de outros e gerando Emprego e Renda para a população. Assim, seguindo essas medidas acima mencionadas, a confiança do investidor continuará aumentando e repercutindo assim, de forma positiva na conjuntura econômica e no crescimento contínuo do país.
O desenvolvimento de Cabo Verde não depende apenas de Políticas Públicas. Depende também da boa vontade e dedicação do povo caboverdeano, por isso, devemos contribuir de forma direta ou indireta. Adaptando a afirmação de Jhon F. Kennedy (ex-presidente norte-americano) à realidade caboverdeana, “Não digamos apenas o que Cabo Verde deve fazer por nós, mas também, o que podemos e devemos fazer por ele”.
Artigo elaborado por:
Carlos Bentub, graduando em Economia pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil.

Será mesmo o fim do Capitalismo? Parte II

Caro leitor, a experiência nos ensina que, as crises económicas têm um poder transformador, isto é, são capazes de mudar as relações e estruturas econômicas mundiais. Tomando isso como pano de fundo, mais uma vez fica em evidência a pergunta que fiz na primeira parte do mesmo artigo: Será mesmo, o fim do Sistema Capitalista de Produção? Ou será que, os EUA estão perdendo essa categoria de economia mais rica e poderosa do mundo, para a emergente economia chinesa?
Depois de as bolsas do mundo inteiro apresentarem quedas desastrosas que acabaram por aumentar os temores da recessão que se vive hoje, nessa semana o Governo Bush, juntamente com os principais Bancos Centrais, propuseram a criação de um pacote de US$700 Bilhões de para tentar “animar” os mercados mundiais e, tentar recuperar o crescimento econômico de longo prazo. O fundo que será criado, visa adquirir os créditos podres do mercado imobiliário de alto risco, que não vêm sendo pagas pelos devedores.
Para muitos especialistas, um tipo especial de mutuário que deu início aos problemas da crise de crédito nos EUA. Com os juros de financiamento imobiliário muito baixos, cerca de 2% ao ano, o sector viu uma expansão sem precedentes e o público-alvo teve que ser ampliado. Assim, o financiamento se tornou bastante acessível à população de qualidade de crédito mais baixo, o chamado “suprime” (Sigla em inglês para “sem renda, sem trabalho, sem bens”, portanto, de alto risco).
Como podemos constatar, a Economia tem ciclos longos de ascensão, mas também, tem períodos de queda. É o que deparamos hoje, não é verdade? Por isso, para reverter essa situação, a intervenção do Governo não pode ser questionável. A sua intervenção é essencial e imprescindível nesse aspecto, injetando recursos na Economia, não para salvar uma meia-dúzia de banqueiros e sim, para recuperar seu crescimento econômico de longo prazo e com isso, garantir a estabilidade econômica local e global. Isso vem de encontro ao que eu tinha dito antes, em que, o dinheiro público tem que ser permanentemente mobilizado para evitar o pior e, quanto mais cedo os Governos mobilizarem os recursos, menores serão os impactos negativos dessa Crise Bancária na Economia Mundial.
Carlos Bentub, graduando em Economia pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil
calubentub21@hotmail.com - telefone: +55(19) 82133897

O Desempenho Recente do Comércio entre Brasil e Cabo Verde

Brasil e Cabo Verde são países com as mesmas origens, sendo ambos oriundos da colonização portuguesa. Possuem, portanto, o mesmo idioma, grandes afinidades culturais e mantêm boas relações políticas. Com tantas afinidades, seria de se esperar que estes dois países apresentassem uma forte relação comercial entre si. No que diz respeito ao fluxo de comércio existente entre os mesmos, o Ministério do Comércio Exterior do Brasil (MDIC) publicou dados recentes, que são apresentados a seguir;Como mostra a tabela1, de 2000 a 2007 o fluxo de comércio entre os dois países, ou seja, a corrente de comércio que é a soma das exportações e importações executadas entre eles, cresceu cerca de 858%, passando de 3,8 milhões de dólares em 2000 para cerca de 36 milhões de dólares em 2007, um crescimento percentual significativo, mas ainda bastante modesto em valores absolutos.Não há dúvida que o valor representa uma forte ampliação nas relações comerciais entre eles, o que, no entanto também se pode observar é a forte assimetria desta relação; enquanto as exportações (medidas em milhões de dólares) do Brasil para Cabo Verde cresceram 861%, as importações (medidas em milhares de dólares) provenientes de Cabo Verde cresceram bem menos, cerca de 202%. Sendo assim, o saldo comercial é extremamente favorável ao Brasil. Enquanto em 2007 o Brasil exportou cerca de 19,5 milhões de dólares em mercadorias para Cabo Verde, importou no mesmo período apenas 36 mil dólares.Comparando os principais produtos exportados pelo Brasil para Cabo Verde (tabela 2) nos últimos dois anos (2006 e 2007), podemos ver que os laminados de aço lideram as exportações, representando cerca de 34% do total exportado em 2007, com um crescimento de 53% em relação ao ano anterior. Não foi, no entanto o produto cuja exportação mais se ampliou, privilégio que coube a carne de frango, com crescimento de 248%.Cabe ainda destacar que, os 15 principais produtos da pauta exportadora brasileira para Cabo Verde representaram em 2007 cerca de 77% do total exportado (um ano antes representavam 67%). Isto indica, portanto, um processo de concentração das exportações em menos produtos com vendas maiores, pois as exportações para Cabo Verde cresceram 28,3% em 2007.Quanto aos produtos importados do Brasil provenientes de Cabo Verde, nota-se primeiro que o valor é muito baixo, segundo que a pauta esta concentrada em pouquíssimos produtos e, terceiro que aparentemente não apresentam característica de continuidade.O crescimento total apresentado, de 184%, é irrelevante quando observamos o valor absoluto transacionado, de apenas 64 mil dólares em 2007, e o tipo de produto transacionado onde, apenas dois itens foram responsáveis por toda a pauta importadora em 2007. Com esses dados oficiais, podemos constatar que os desequilíbrios nas relações comerciais entre esses dois países são muito elevados. É claro que se trata de duas Economias muito distintas, sendo extremamente diferentes em tamanho e estrutura, o que justifica este desequilíbrio. O Brasil é um país industrializado, com uma grande população e um PIB da ordem de 1,067 trilhões de US$ (segundo dados do Banco Mundial /2006), enquanto Cabo Verde possui um PIB estimado de 1,14 bilhões de US$, uma população de 520 mil (segundo dados do Banco Mundial /2006) e uma economia baseada principalmente, na pesca e num turismo diferenciado em cada ilha. Desta forma, é de se esperar que o saldo comercial seja favorável ao Brasil. Como a assimetria é gritante, não só podemos analisar formas para expandir o comércio em geral, como também formas para estimular uma maior exportação de Cabo Verde para o Brasil, o que seria benéfico para as duas Economias.Com este estudo, conclui-se que praticamente não há exportações de Cabo verde para o Brasil (e mesmo que haja, são muito pequenas), desta forma, agentes econômicos de Cabo Verde ou não estão interessados no mercado brasileiro ou não possuem produtos que interessem ao mercado brasileiro, um mercado extremamente interessante, de mais de 180 milhões de consumidores. Convêm destacar ainda que apesar das grandes diferenças entres as duas Economias, os dados de comércio entre elas revelam que houve crescimento recente do fluxo de comércio entres as mesmas, no entanto, ele ainda é muito modesto e extremamente favorável ao Brasil, como já tinha assinalado anteriormente. Desta forma, muito se pode fazer para que este comércio cresça ainda mais e com expansão mais significativa e estruturada principalmente das exportações de produtos de Cabo Verde para o Brasil. Como sugestão, aconselho o nosso país a diferenciar sua pauta exportadora, como por exemplo, exportação de produtos enlatados (Atum, Sardinha), de vestuários, de calçados, do sal, entre outros. Também podemos propor medidas para compensar os desequilíbrios na balança de pagamentos por meio do turismo, do mercado de capitais ou também por meio de uma aproximação cada vez mais contínua e objetiva, entre esses dois países.Carlos BentubGraduando em Economia pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil

O Desempenho Acadêmico dos Estudantes Caboverdeanos nas Universidades Brasileiras

O Brasil, por meio doas Programas de Estudantes-Convênio (PECS), oferece vagas em curso de graduação e pós-graduação (Mestrado e Doutorado) em Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras a estudantes de países em desenvolvimento, inclusive Cabo Verde, com os quais mantêm relações culturais e /ou educacionais. O objetivo desses programas é possibilitar a formação de Quadros Qualificados e promover o intercâmbio cultural. Por Carlos Bentub
Nesse âmbito, são concedidos aos alunos estrangeiros do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) que apresentam desempenho acadêmico excepcional, uma Bolsa de Mérito como prêmio. Assim, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), por intermédio do Departamento Cultural e Educacional (DCE), convoca as Instituições de Ensino Superior participantes do programa (PEC-G), a enviarem inscrições dos candidatos à referida Bolsa. A Bolsa de Mérito foi instituída pela Portaria Ministerial n° 657, de 1° de Novembro de 2006 e visa à concessão de um auxílio financeiro de R$ 500 (Quinhentos Reais), por um período de seis meses.
Para além do desempenho acadêmico, outros critérios são considerados;
A condição socioeconômica do aluno.
Freqüência escolar.
O envolvimento do aluno em atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão (monitoria, oficinas, eventos, etc...).
Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) publicou a Lista dos alunos selecionados à Bolsa de Mérito, para o 2° semestre de 2008, que apresentarei a seguir;
Lista dos selecionados à Bolsa de Mérito-2008/ 2° semestre.
Nome
País
IES
Curso
Adilson da Penha Lopes
Cabo Verde
UFGRS
Direito
Alcione Rocha da Cruz
Cabo Verde
UFG
Odontologia
Alizia lima da Luz Zego
Cabo Verde
UFRGS
Relações Internacionais.
Anya Lúcia Tamayo Velarde
Peru
UFRGS
Música
Beldina Akhwale Sakwa
Quênia
UEL
Comunicação Social
Belén Desiré Avalos Larroza
Paraguaia
UNB
Relações Internacionais.
Belinazir Costa do Espírito Santo
São Tomé e Príncipe
UFMG
Engenharia Química
Brucelinda Ascensão de Melo Veiga
Cabo Verde
PUC-RS
Geografia
Carlos José Oliveira Bentub
Cabo Verde
PUC-Campinas
Ciências Econômicas
Catherine Lorena Céspedes Blanco
Costa Rica
UFRGS
Música
Cátia Juliana Samuel Oliveira Langa
Moçambique
São Camilo
Fisioterapia
Dulce Martins da Silva
Timor Leste
USC
Publicidade e Propaganda
Edgard Julian Osuma Melo
Colômbia
UMESP
Ciências Biológicas
Ednilsa Nair Nazaré da Trindade
São Tomé e Príncipe
UFRGS
Comunicação Social
Edwige Eveltyne lima N’Zalé
Guiné Bissau
UFC
Comunicação Social
Emma Mariangel Ortiz Torres
Paraguai
UFSM
Fonoaudiologia
Érica Edilene Lopes Sousa Ramos
Cabo Verde
UFG
Artes Visuais
Eudésio Eduim da Silva
Guiné Bissau
UFRN
Ciências Econômicas
Farha Abdula
Moçambique
UFRGS
Comunicação Social
Francisco Antonio Paquete lima
São Tomé e Príncipe
PUC-RS
Eng. Química
Gizelle Andrêa lima Mota
Cabo Verde
UFMT
Nutrição
Helder Antônio Teixeira Gomes Cardoso
Cabo Verde
UNOESC
Designe
Isaac Terceros Montaño
Bolívia
USP
Música - Regência
Jacqueline Maria Gonçalves Figueiredo
Moçambique
UFPR
Veterinária
Jessica da Mata dos Santos Monteiro
São Tomé e Príncipe
UNB
Agronomia
José Manuel Salinas
Paraguai
UEL
Música
Júlio Sanhá
Guiné Bissau
UFPR
Pedagogia
Julwaity Quaresma Cardoso Pimentel Neto
São Tomé e Príncipe
UNB
Tradução - inglês
Laura Orozco Badilla
Costa Rica
UFMG
Administração
Leonel Pereira João Quade
Guiné-Bissau
UFRN
Direito
Marco Carrilho Diniz
Moçambique
PUC-RS
Eng. Mecânica
Maria Camila Villacis Ordoñez
Equador
UDESC
Artes Plásticas
Maria da Conceição Neves Afonso
São Tomé e Príncipe
PUC-RS
Geografia
Maria Ruth Hernandez Leon
Guatemala
UFSM
Desenho Industrial
Marisia Carina Évora dos Santos
Cabo Verde
UFRN
Pedagogia
Milton Jonas Monteiro
Cabo Verde
UNB
Administração
Moizes Alberto Sanca
Guiné Bissau
UFRN
Direito
Nadine Almeida Pires
Cabo Verde
UFRN
Psicologia
Netizia de Fátima Delgado Silva
Cabo Verde
UFRN
Ciências Sociais
Patrick Olumide Obafemi
Nigéria
PUC-RS
Engenharia Mecânica
Quintino Augusto Có de Seabra
Guiné Bissau
UNESP
Arquitetura e Urbanismo
Rolando Azevedo da Costa Neto
São Tomé e Príncipe
UFRGS
Administração
Rosângela Pires lima
Cabo Verde
UFF
Direito
Selnaine Gercy lima da Vera Cruz
São Tomé e Príncipe
UERG
Psicologia
Selva Viviana Martinez Aquino
Paraguai
UFRGS
Música
Soluna Garnes
Trindad e Tobago
UNICAMP
Música
Stella Fernandes lima
São Tomé e Príncipe
UFMT
Ciências Contábeis
Suzana da Glória Amaral
São Tomé e Príncipe
UFRN
Medicina
Sylvia Marisa Braga De lima
Moçambique
UERJ
Psicologia
Tamara Agner Miguez
Uruguai
UFSC
Eng. Química
Vânia Cristina Monteiro Neves
Cabo Verde
UFF
Medicina
Vany Patrick Cortez Moreno
Cabo Verde
UFRN
Arquitetura
Viviene Marina Lopes Gonçalves
Cabo Verde
PUC-RS
Veterinária
Wanildo Menezes D’Alva Pires dos Santos
São Tomé e Príncipe
UFES
Geografia
William Gomes Ferreira
Guiné Bissau
UFRN
Letras
Willy Okoba
Quênia
UFC
Medicina
Zodinio Laurisa Monteiro Sampaio
Guiné Bissau
UFRN
Engenharia Civil
Fonte: Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Como podemos constatar, Cabo verde lidera a lista dos selecionados, responsável por 27,52% do total, isto é, com 16 alunos. Em seguida temos São Tomé e Príncipe, respondendo por cerca de 19% do total (com 11 alunos). Os países com menos selecionados são; Timor Leste, Colômbia, Bolívia, Guatemala, Equador, Nigéria, Uruguai e Trindade e Tobago, todos com 1,72% do total dessa seleção (1 aluno cada). No conjunto países que têm o português como língua oficial (Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste), mais uma vez o nosso arquipélago lidera, responsável por 39% dos selecionados. Mas é importante evidenciar que, de entre os países participantes do programa PEC-G, Cabo Verde é o país que mais recebe vagas das universidades brasileiras, o que explica, em parte, essa liderança na lista dos selecionados à Bolsa de Mérito. Por outro lado, o responsável disso é o desempenho acadêmico excepcional dos estudantes do nosso país.
Com tudo isto, não restam dúvidas de que, os nossos Governos estão investindo de forma considerável na Educação, apostando na formação e qualificação de quadros que possam, de certa forma, contribuir para o crescimento e desenvolvimento econômico de Cabo Verde. Como sugestão, o país deve continuar com os investimentos nessa área, pois, a Educação é o meio mais viável para reduzir as altas taxas de Desemprego e Pobreza existentes na nossa Economia e, sobretudo, o meio mais eficaz para proporcionar aos caboverdeanos, uma sociedade justa e equilibrada.
*Graduando em Economia pela PUC-Campinas, São Paulo, Brasil.